A mais culta, erudita, dinâmica e controversa mulher de sua geração, a vida de Cristina foi traçada pelas complexas questões políticas e culturais do século XVII. Ela foi conhecida por seu mecenato generoso a artistas e escritores e por sua escandalosa e nada ortodoxa vida pessoal.
Seu pai foi o poderoso Rei-guerreiro sueco Gustavo Adolfo, campeão da causa protestante e o rei que estabeleceu as fundações do moderno estado sueco. Sua mãe, Maria de Brandenburg, sofreu com uma grave doença mental durante sua vida. Quando Cristina nasceu em 1626, ela foi erroneamente anunciada como um garoto. Sua mãe tentou atacar a recém-nascida Cristina em um acesso de loucura quando soube que na verdade tinha dado à luz uma menina.
Gustavo Adolfo ordenou que Cristina recebesse a educação de um príncipe, mas sua precoce morte em batalha quando Cristina tinha seis anos significou que o reino passaria por um período regencial, supervisionado pelo chanceler Axel Oxenstierna, que se mostrou o melhor tutor político da jovem Cristina. Houve uma reforma política e um período de transição relativamente tranquilos enquanto a jovem monarca se preparava para assumir o trono. Ao que parece, a jovem Cristina era uma pupila hábil e brilhante, aprendendo teologia, política, letras e as difíceis artes da cavalaria, da esgrima e de manobras militares. Aos 18 anos, ela assumiu o trono.
Com a diminuição da violência religiosa da Guerra dos Trinta Anos, houve um risco considerável de que a Suécia voltasse para um turbilhão de violência quando Cristina assumiu o trono. Ela conseguiu manter a paz e então se dedicou a fazer da Suécia a capital filosófica da Europa. Ela conseguiu recrutar Rene Descartes para o seu projeto—lamentavelmente o venerável filósofo francês e a rainha se odiavam intensamente e o clima frio contaminou Descartes, que morreu em Estocolmo em 1650. Por seus esforços, ela veio a ser chamada de "a Minerva do Norte" por toda a Europa. Infelizmente, o projeto da rainha só poderia ser financiado através de despesas abundantes e insustentáveis pela coroa. Ela foi então forçada a reduzi-lo.
Cristina inesperadamente abdicou do trono sueco após dez anos de reinado e as razões para isso são calorosamente debatidas até hoje. Cristina se declarou doente e que, como mulher, ela era inadequada para o papel de governante, mas outros diziam que sua profunda aversão ao casamento (e consequentemente à questão da sucessão) era resultado de sua própria identidade sexual. Ela se converteu secretamente ao catolicismo romano, o que também a tornava inelegível ao trono da Suécia luterana. O reino passou para seu sobrinho, Carlos X Gustavo.
Por ser uma famosa convertida ao Catolicismo, Cristina foi convidada a Roma pelo Papa Alexandre VII em 1655. Ela não impressionou o pontífice. Suas maneiras eram brutas (ela gostava de palavrões, tiro ao alvo, de se vestir com roupas masculinas e de outras atividades vistas como impróprias para a nobreza) e ela tinha o hábito de praticar governanças autônomas, incluindo sua tentativa fracassada de ser nomeada Rainha de Nápoles com a cooperação dos franceses. Ela também não queria servir como peão do Papa Alexandre contra o Protestantismo.
Durante seu tempo em Roma, ela beneficiou vários artistas e escritores incríveis, reunindo uma coleção de obras de arte que eram a inveja da Europa. Sua corte no Palazzo Farnese era o epicentro do mundo artístico, entretendo convidados com música, teatro e discussões intelectuais sobre questões importantes. Esta extravagância (e a falta generalizada de propriedade de Cristina) escandalizou e encantou o grande povo da Europa. Sua coleção de quadros inclui trabalhos de Rafael, Ticiano, Durer, Bruegel o Velho, Veronese e Correggio. Ela fundou a Academia da Arcádia para filosofia e literatura, que está até hoje em Roma. Ela descobriu o compositor Scarlatti e o empregou como regente enquanto Corelli dirigia sua orquestra pessoal.
Mas ela chegou ao limite da tolerância das cortes da Europa. Em 1657, em visita à França, um de seus empregados foi assassinado por suspeita de que estava abrindo suas cartas pessoais a Roma. Ela imediatamente assumiu a responsabilidade pelo ato, apesar da nobreza francesa ter se oferecido para encobrir o caso. O escândalo arruinou o seu apoio em Roma, e ela passou vários anos entre a Suécia e Roma. Embora amiga pessoal de vários Papas, a atmosfera política se virou contra o estilo boêmio da corte pessoal de Cristina.
Ela estava séculos à frente de seu tempo em muitas de suas opiniões, fortemente contrárias às noções predominantes da época. Ela era uma corajosa defensora das liberdades pessoais, generosa em sua caridade e uma convicta protetora dos judeus em Roma. Houve muitos exames psicológicos póstumos de sua vida, com cada geração subsequente alegando saber a chave para suas motivações. Seu estilo de vida nada ortodoxo, seu desprezo por normas de gênero e sua independência de pensamento a tornam um atraente objeto de estudo. Até mesmo seus detratores históricos elogiam suas contribuições às artes.
Quando ela morreu, em abril de 1689, o Vaticano realizou um enorme funeral e ela é uma das únicas três mulheres enterradas na Basílica de São Pedro—contra sua vontade de um enterro simples no Panteão.