Diferente da maioria dos grandes escritores que precisam sofrer por sua arte, Jane Austen teve uma vida até que confortável e sem dificuldades. Austen nasceu em dezembro de 1775 d.C. em Hampshire, na Inglaterra, sétima filha de uma família respeitada (embora não tão rica) da comunidade. Seu pai era reitor de uma igreja anglicana próxima e sua mãe era a mulher do reitor. Seu pai estudara em Oxford, tinha uma vasta biblioteca e incentivava os filhos a aproveitá-la.
Em alguns anos, para obter uma educação formal, Jane e sua irmã mais velha, Cassandra, foram enviadas para um internato, mas as irmãs contraíram tifo, quase morreram, e voltaram para casa – de onde não mais saíram. Para passar o tempo e dar liberdade às suas ideias românticas, Jane começou a escrever contos – com o tempo, romances – em vários cadernos em meados da década de 1790. Eles eram, na prática, paródias espertas da baboseira romântica da época. Esses trechinhos e pedacinhos evoluíram para obras mais ambiciosas: "Razão e Sensibilidade" (também "Razão e Sentimento", no Brasil), "Orgulho e Preconceito" e "A abadia de Northanger". Com a ajuda do irmão Henry, que convenceu o dono de gráfica e livreiro Thomas Edgerton a publicá-lo, "Razão" seria lançado em 1811 – anonimamente, mas aclamado por sua análise social.
Jane passou sua vida adulta cuidando da casa da família para seus pais idosos, tocando piano, frequentando a igreja, socializando com vizinho e todas essas outras coisas que se espera de uma solteirona inglesa de respeito. Mas parece que ela não estava entediada nem ressentida. A família – pai, mãe, Jane e Cassandra – mudou-se para Bath, em 1801. O pai dela morreu quatro anos depois e por vários anos as três mulheres foram de um lugar para outro, até conseguirem se estabelecer em um chalé que pertencia a Edward, irmão de Jane. Jane contraiu uma doença degenerativa em 1816, morrendo no ano seguinte.