Como uma pessoa deixa de ser uma princesa trancada em uma torre para ser uma rainha regente guerreira de um império de especiarias do século XIV? Primeiro, comece com um pequeno assassinato.
Muito que se sabe sobre o reinado de Gitarja vem do poema épico "Nagarakretagama". Escrito pelo poeta da corte Rakawi Prapanca, essa mistura de história e mito deve ser encarada com um pouco de ceticismo. Mas "Nagarakretagama" nos conta que a história de Gitarja, a Duquesa de Kahuripan, realmente começa com o assassinato do seu meio-irmão, o Rei Jayanagara.
A Rainha Regente Tribhuwannottunggadewi Jayawishnuwardhani, também conhecida pelo seu nome familiar Dyah Gitarja, nasceu em algum momento antes de 1309, sendo filha de Raden Wijaya, criador do Império de Majapahit, e da rainha consorte Gayatri Rajapatni. Ela governou o império de especiarias do sudeste da Ásia de 1329 a 1350, sucedendo seu meio-irmão, Jayanagara (também conhecido como Príncipe de Kadiri) durante um período de revolta e caos para o Império de Majapahit.
Reza a lenda que Jayanagara estava tão acossado por inimigos que até via suas irmãs como ameaças ao seu trono. Então ele as trancou em um palácio, fora do alcance de pretendentes em potencial. Mas ele não contava com um médico ciumento do palácio, que matou o rei em 1328, após descobrir que Jayanagara havia seduzido a sua esposa.
Por Jayanagara passar mais tempo cortejando as esposas dos seus súditos do que produzindo um herdeiro, a rainha consorte pode nomear sua filha, Dyah Gitarja, ao trono em 1329. A rainha regente recentemente coroada agora seria conhecida pelo seu título oficial de Tribhuwannottunggadewi Jayawishnuwardhani.
Naquele mesmo ano, ela nomearia Gajah Mada como "pati", ou primeiro ministro do Império de Majapahit. A história retrata Mada como um expansionista vigoroso do Império de Majapahit, leal à dinastia Rajasa por três monarcas e um maquinador do palácio. Resta saber se os rumores de Mada ter tido algo a ver com o assassinato do Rei Jayanagara são verdade, e o registro histórico é omisso em relação a Dyah Gitarja saber ou não da possível participação do pati em um pequeno regicídio.
Naquele mesmo ano, livre da sua torre gélida de solidão, ela tomaria o nobre Chakradhara como consorte, e juntos eles tiveram um filho, Hayam Wuruk, em 1334.
O reinado da rainha regente a veria reprimir rebeliões nas regiões de Sadeng e Keta. Dizem que ela montou em batalha ao lado do seu primo, Rei Adityawarman de Malayapuran.
Mas a história lembrará seu reinado pela conquista da ilha de Bali sob as habilidades marciais do seu primeiro ministro. Gajah Mada acabaria com a linhagem da liderança balinesa local, permitindo que o reino caísse sob domínio Majapahit.
O reinado de Gitarja chegou ao fim não por meio de guerra ou intrigas palacianas, mas por meio de uma infeliz peculiaridade na sucessão de Majapahit. Sua mãe, Gayatri, foi a responsável por conceder a Gitarja o título de rainha regente, significando que Gitarja governava pela vontade da rainha viúva. Mas quando Gayatri faleceu em um monastério em 1350, Gitarja perdeu sua protetora e foi forçada a abdicar o trono.
Gitarja seria sucedida pelo seu filho, Hayam Wuruk, que iniciaria o que alguns indonésios consideram ser a era de ouro do Império de Majapahit. Dependendo do historiador, Hayam Wuruk tomou o império que sua mãe conseguiu garantir e viu suas fronteiras avançarem além da atual Indonésia, abrangendo parte do que é hoje a Malásia.
E a vida de Dyah Gitarja após o trono? Os registros não mencionam fatos sobre seus últimos anos, nem mesmo quando faleceu. Mas ela será lembrada por expandir as fronteiras do seu império e aumentar a magnificência do Majapahit.