Cingapura é uma cidade-estado numa ilha na ponta da península da Malásia, no Sudeste Asiático. Aqui, nos estreitos de Johor, a ilha fica no meio de uma rota comercial crucial, que conecta o sul da Ásia e o Oceano Índico com o leste da Ásia e o Pacífico. Antes da era colonial, a região era dominada por alguns impérios nativos, como Srivijaya, em Sumatra; Majapahit, em Java; e uma rede de sultanatos malaios. Quando os europeus chegaram, os espanhóis e portugueses tentaram (sem sucesso) converter a população nativa ao catolicismo, e os ingleses e holandeses buscaram lucrar com o comércio de especiarias. Porém, antes de 1800, a ilha de Cingapura ainda era uma pequena aldeia de pescadores sob controle do sultanato de Johore, um reino malaio do outro lado do mar, na península da Malaia.
Porém, em 1819, com sua localização potencialmente lucrativa, a ilha foi cobiçada pelo Império Britânico, que desejava controlar os estreitos para garantir que o ópio indiano chegasse aos mercados chineses via navios britânicos. Sir Stamford Raffles, um oficial britânico, organizou um golpe em Johore, e o novo sultão, em troca, recompensou os britânicos com o controle da ilha, como Raffles planejara. Cingapura tornou-se importante como centro das operações coloniais britânicas na região, não só como centro comercial, mas como laboratório para novas colheitas e extensão da presença britânica na parte leste da Índia. Os britânicos levaram diversos imigrantes novos para a ilha: imigrantes hokkien, cantoneses e hakkas do sul da China, trabalhadores tâmeis do sul da Índia, e novos imigrantes de outros lugares da Malaia. Cingapura tornou-se o coração das colônias britânicas na região, que ficariam conhecidas como Estabelecimentos dos Estreitos.
No século XX, Cingapura teve outro golpe do destino. O exército imperial japonês tomou a ilha num cerco letal na Segunda Guerra Mundial. Os japoneses acabaram se rendendo, mas o fracasso dos britânicos na proteção da ilha fez a população dos Estabelecimentos dos Estreitos relutar em voltar ao domínio colonial: a era do imperialismo europeu havia terminado. Com protestos e agitações em massa, eles acabaram ganhando a independência, mas surgiu outra questão: como seria a região pós-britânicos? De maioria muçulmana, a Malaia via os malaios como herdeiros naturais da antiga colônia, e os chineses como intrusos. Estourou uma disputa étnica que fez os chineses fugiram em grandes números para Cingapura, de maioria chinesa, e seu líder, Lee Kuan Yew. Após negociações tensas, Malaia (atualmente Malásia) e Cingapura se separaram em 1965.
Lee estava decidido a evitar a ruína de Cingapura e comandando muitas vezes o país com mão de ferro, buscou equilibrar as tensões étnicas e trabalhistas e se comprometeu com a prosperidade econômica acima de tudo. Talvez devido à determinação de Lee, ou simplesmente por sua posição privilegiada nos estreitos, Cingapura entrou no século XXI como uma potência econômica. Atualmente, com uma população cosmopolita de cerca de seis milhões de pessoas e uma visão global, Cingapura mantém-se como uma força politicamente estável e economicamente dinâmica na região. Carrega um legado colonial da exploração de trabalhadores e das riquezas da região ao redor, e, sob o comando de Lee Hsien Loong, filho de Lee, uma orientação política "levemente autoritária", porém com uma visão independente e, acima de tudo, uma abordagem pragmática da política.