Nuvens de cogumelo e energia ilimitada. Utopia ou extinção. Essas talvez sejam algumas das possibilidades trazidas pela tecnologia da fissão nuclear. Nos campos da física e química, a fissão nuclear é o processo de decaimento – natural ou não – pelo qual o núcleo de um átomo se quebra em núcleos menores liberando nêutrons e fótons, e lançando quantidades significativas de energia. Se for possível iniciar uma reação em cadeia na qual esses nêutrons e fótons livres façam com que outros núcleos se rompam, uma quantidade enorme de energia será liberada de uma única vez.
Com base no trabalho de gênios da ciência, como Marie Curie, Ernest Rutherford, Niels Bohr, Enrico Fermi e Edward Teller, os Estados Unidos criaram o Projeto Manhattan – liderado pelo físico J. Robert Oppenheimer. Esse projeto foi iniciado em 1942 d.C. com o objetivo de criar uma reação nuclear sustentável utilizando urânio ou plutônio. O resultado foi a primeira bomba atômica, testada com sucesso no deserto do Novo México em julho de 1945. No mês seguinte, os Estados Unidos jogaram outras duas bombas em cidades japonesas, deixando entre 129 mil e 246 mil mortos. Quando os espiões soviéticos roubaram os planos originais, teve início a corrida nuclear.
Apesar disso, a primeira fissão nuclear também trouxe consigo a esperança de uma nova forma de energia "limpa" e barata. Em setembro de 1948, na cidade de Oak Ridge (Tennessee), pela primeira vez foi gerada energia elétrica a partir de uma reação nuclear – o suficiente para acender uma lâmpada. Um experimento novo e maior foi feito em Arco (Idaho) em 1951, comprovando a viabilidade de construir uma usina de energia nuclear. Assim, em 1954, a primeira usina nuclear para energia elétrica do mundo começou a operar em Obninsk, na União Soviética. A seguir, veio a primeira estação de energia nuclear de grande escala, em Calder Hall (Inglaterra). Apesar de acidentes nucleares como os de Three Mile Island (1979), Chernobyl (1986) e outros três em Fukushima-Daiichi (2011), a energia de origem nuclear poderá ser a salvação da civilização moderna.