A Cidade do Vaticano, com menos de 0,44 quilômetros quadrados e 1.000 residentes, é o menor Estado soberano do mundo. O legado do Vaticano remonta a quase dois mil anos como sede da Santa Sé, o centro administrativo da Igreja Católica, com mais de um bilhão de seguidores.
Com o nome derivado da colina onde se encontra, o Vaticano é separado do centro histórico de Roma pelo rio Tibre. Para os romanos, a Colina do Vaticano era um local de túmulos e santuários de divindades pagãs, e foi lá que o imperador romano Nero construiu seus jardins e seu imenso complexo de entretenimento. E foi nesse complexo que ele, conforme a tradição católica, crucificou o apóstolo Pedro de cabeça para baixo. O circo de Nero não sobreviveu, mas no século IV o imperador romano Constantino construiu a Basílica de São Pedro no local da morte do apóstolo. Constantino também designou locais de peregrinação espalhados pelo Império; assim, o Vaticano tornou-se um destino de viagem popular. Isso, por sua vez, criou a necessidade de novas reformas: alojamentos, um mercado (o Borgo) e muralhas maiores e mais elaboradas.
Talvez como vingança final contra Nero e seus jardins, o Vaticano tornou-se um local de artes renascentistas que superou muito as do imperador louco. O exemplo mais famoso é a Capela Sistina, com seu teto pintado em 1508 por Michelangelo, encomendado pelo Papa Júlio II. Júlio também reformou a Basílica de São Pedro, que já tinha mil anos, e encomendou uma nova, que foi concluída cerca de cem anos depois, em 1626.
Como coração da Igreja Católica, o Vaticano foi cenário de muitas decisões importantes. Esta cidade-estado sobreviveu à queda do Império Romano do Ocidente, ao cisma com a Igreja Ortodoxa e à Idade Média. No século XIV, os papas trocaram brevemente o Vaticano pela França, mas voltaram algumas décadas depois. Os reis católicos recorriam ao Vaticano em busca de legitimidade e apoio, e, quando isso deixou de ser suficiente, papas mais arrojados expandiram seu domínio pela Itália, criando os Estados Papais.
Mas as forças seculares estavam em ascensão, e, em 1870, a Itália unificada tomou as terras papais ao redor do Vaticano. O conflito permaneceu em aberto até 1929, quando Benito Mussolini compensou a Santa Sé por suas perdas e concedeu-lhe o Vaticano como Estado soberano.
Atualmente, o Papa ainda reside no Vaticano, que permanece sendo uma voz importante — cultural, religiosa e política — nas questões mundiais. Sedia impressionantes museus de arte, obras arquitetônicas e jardins.